Você está preparado para trabalhar numa startup?

Nosso país vive um momento de crescimento – não tão grande como eu gostaria – no número de startups de tecnologia. E fazer parte de uma empresa onde o ambiente é agradável, estimulante e desafiador é o objetivo da maioria das pessoas que buscam uma oportunidade no mercado de trabalho.

Neste cenário, muitos profissionais podem enxergar uma startup como um grande oásis em meio ao penoso e metódico mercado de trabalho tradicional. Porém, nem sempre as expectativas, tanto do empreendedor como do profissional, são atendidas.

Neste post procuro mostrar que para trabalhar uma startup é necessário possuir algumas características específicas desse ecossistema.

Antes de prosseguirmos, vamos definir o que constitui uma startup. Existem várias definições aqui, porém ainda prefiro a de Steve Blank:

“Uma startup é uma organização formada para a busca de um modelo de negócios escalável e repetitivo.”

Gosto dessa definição porque ela é bem concisa e apresenta o que considero as palavras-chave para o entendimento do ecossistema de uma startup. No contexto deste post destaco a palavra busca. Uma startup é uma organização que está em busca, que ainda não encontrou e por isso não pode descansar.

Quem busca não espera as coisas acontecerem.

Seguindo por este caminho podemos deduzir que uma startup não é um transatlântico “que transporta passageiros através do oceano, normalmente seguindo linhas regulares”.  Uma startup está mais para um pequeno barco que navega sabendo onde quer chegar, porém desconhece algumas coordenadas e não consegue traçar um curso regular.

barco

Os problemas e frustrações na maioria das vezes começam porque muitos profissionais só sabem comportar-se como passageiros de transatlânticos. Só sabem, ou só conseguem, trabalhar seguindo um curso retilíneo; não sabem navegar em “modo busca”.

Isso não quer dizer que um bom profissional é somente aquele que está acostumado a trabalhar com a incerteza. Existem muitos transatlânticos que precisam de passageiros.

A questão é que a equipe de uma startup deve estar preparada para a viver em busca, pronta para o aprendizado e mudança de curso. Mudar, aprender, mudar, aprender… Esse deve ser o mantra da equipe de uma startup.

Uma startup ainda não tem um modelo de negócios finalizado, lembre-se: ela está em busca. Portanto seu produto e/ou serviço está em constante evolução. Existem muito mais perguntas do que respostas.

Por isso, quando falo de aprendizado não refiro-me à novas linguagens de programação ou novos modelos de banco de dados. Quem trabalha numa startup, desenvolvedor/designer/etc, deve aprender sobre o negócio.

O pensamento “eu sou um ótimo programador/designer/etc e meu único objetivo é ser um programador/designer/etc ainda melhor” não tem espaço numa startup. Cada membro da equipe deve ser capaz de vivenciar a empresa e contribuir ativamente no processo de busca; não existe espaço para o profissional com o pensamento “fiz o meu, vou embora e pronto”.

Trabalhar num ambiente que favorece mudanças também pode ser bem difícil. Para alguns profissionais a utilização de metodologias ágeis significa apenas uma miniaturização das metodologias de gerência tradicionais. Pensam que se o planejamento tomava três meses do projeto agora ele levará apenas uma semana, contudo depois de planejado nada pode mudar. Esquecem que a ideia básica é estar propenso a mudanças. Quando uma equipe “ágil” recebe, no meio de um sprint, o comunicado que alguma coisa terá que mudar porque a empresa descobriu algo que não sabia e não reage bem, é porque ela é na verdade miniatura de uma equipe gerida por uma metologia tradicional.

As expectativas não são atendidas e os problemas acontecem por falta de conhecimento. Na maioria das vezes o profissional desconhece a realidade de uma startup e em alguns casos desconhece seu próprio perfil.

Portanto antes de fantasiar que irá trabalhar deitado numa rede e jogar sinuca nos intervalos (nada contra :-)), estude o ecossistema das startups e tenha consciência do seu perfil profissional, para depois direcionar sua carreira.

E você, está preparado para trabalhar numa startup? Vamos continuar a discussão nos comentários.

TV digital e os impactos na medição da audiência
Slides da palestra sobre TV digital ministrada na 6ª Semana de Eletrônica da UFRJ

 

Rafael Carvalho

Com o Know-how de quem atua há mais de 20 anos no mercado de empreendedorismo digital, atualmente Rafael Carvalho é co-fundador e Diretor de Operações da HeroSpark, a solução mais completa na América Latina para quem deseja criar negócios de alto impacto na internet. Com sede em Curitiba/PR a HeroSpark nasceu da fusão da Edools com a Eadbox e atualmente possui uma equipe com mais de 190 pessoas que trabalha incansavelmente para ajudar as pessoas a transformarem aquilo que sabem em negócios digitais de alto impacto. [CLIQUE AQUI para saber mais sobre a jornada percorrida por Rafael Carvalho].

 

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