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Você utilizaria um cliente para Twitter na sua TV digital?

Para iniciarmos nossa conversa, reflita sobre essas duas perguntas: Você utilizaria um cliente para Twitter na sua TV digital? Você escreveria regularmente...

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Para iniciarmos nossa conversa, reflita sobre essas duas perguntas:

  • Você utilizaria um cliente para Twitter na sua TV digital?
  • Você escreveria regularmente seus tweets com um controle remoto semelhante a este?

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As aplicações que estão sendo transmitidas ainda exploram muito pouco o potencial do nosso sistema de TV digital interativa e seu middleware Ginga. A grande maioria das aplicações que temos hoje são apenas para enriquecimento básico da programação tradicional; oferecem um conteúdo adicional como um resumo do capítulo da novela, informações sobre a classificação dos times no campeonato, notícias etc. Porém a comunicação telespectador-emissora e telespectador-internet não é muito explorada. As aplicações que estão disponíveis são muito pobres em termos de interatividade.

Na busca por novos modelos, algumas empresas desenvolveram protótipos de aplicações interativas bem mais interessantes, basta uma simples busca no Google para encontrarmos vários exemplos.

Contudo, podemos observar que com o aumento da complexidade, e o maior número de opções apresentadas pela aplicação, a usabilidade tende a diminuir. Com uma usabilidade ruim a experiência interativa do telespectador será desagradável e provavelmente ele deixará o mundo interativo e voltará a ser apenas um telespectador passivo. Depois que esse telespectador tiver sua primeira experiência desagradável sobre interatividade na TV digital e formar sua primeira impressão, será extremamente custoso reconquistá-lo.

Acredito que a grande questão é: como tonar as aplicações interativas mais interessantes, aumentando a imersão do telespectador, sem causar uma experiência desagradável?

Ficando apenas com o exemplo apresentado no vídeo acima, vejo dois grandes problemas para a usabilidade na TV digital: dispositivos de entrada e interatividade intrusiva.

Minha resposta para a segunda pergunta é: não. Eu NÃO escreveria regularmente meus tweets com um controle remoto. Sempre achei muito ruim a experiência de digitar SMS no celular, isso só melhorou quando comprei um Smartphone com teclado QWERTY. Se eu posso assistir TV e escrever meus tweets do meu Smartphone não sei por que escreveria num controle remoto que oferece uma experiência ruim. E se eu não possuísse um  Smartphone? Provavelmente não iria tweetar assistindo TV, a experiência ruim venceria meu desejo de interagir.

Sabemos que a TV digital interativa trouxe muitos avanços em relação à TV analógica, contudo esses avanços ainda não conseguiram melhorar a interface homem-TV. Isso é totalmente compreensível. Dada a situação econômica da maioria da população de nosso país e a base de TV analógica instalada, não poderíamos pensar de outra forma. Afinal, já foi bem difícil para os fabricantes lançarem os set-top boxes mais simples.

Porém não podemos deixar de apontar os obstáculos e as deficiências que enfrentamos hoje. Acredito que em pouco tempo teremos set-top boxes com mais funcionalidades e até apresentando algumas inovações nos dispositivos de entrada. A tendência é caminharmos para uma evolução desses dispositivos e a consequente melhoria da experiência do telespectador ao interagir com sua TV digital.

Não sei se caminharemos nessa direção, se ficaremos com teclado na TV ou quais serão as novidades. Mas com certeza precisamos melhorar a forma como entramos com dados na TV digital.

Minha resposta para a primeira pergunta (Você utilizaria um cliente para Twitter na sua TV digital?) não é tão polarizada. Em alguns momentos eu utilizaria o cliente para Twitter, só para leitura, na minha TV digital; principalmente se estivesse sozinho.

No vídeo com o protótipo do cliente para Twitter foram apresentados dois layouts: um com uma barra na lateral direita e outro com redução da tela. Porém é evidente que todas as opções interferem na visualização do programa.

Imagine o cenário: você e seus colegas assistindo a final do Campeonato Carioca entre Flamengo e Vasco numa super TV 56′ Full HD. Aos 43 minutos do segundo tempo, com jogo 0 x 0, seu “amigo” ‘Luizinho’ (substitua ‘Luizinho’ por flamenguista ou vascaíno, como desejar) resolve interagir com a aplicação interativa para ver quantos gols seu artilheiro marcou durante o campeonato; quando inicia a interação uma barra vertical aparece no canto da tela sobrepondo a imagem do jogo e retirando sua atenção. Qual seria sua reação? Acho que isso exemplifica muito bem o problema que temos ao interagir com um conteúdo que está sendo consumido coletivamente.

O comportamento ideal seria: apenas quem interagiu com a aplicação recebe a resposta. O restante do grupo pode consumir o conteúdo sem interrupções. Na figura abaixo é possível observarmos um exemplo deste comportamento.

multiplos_dispositivos.png

O middleware Ginga-NCL prevê esse tipo de comportamento e oferece suporte a múltiplos dispositivos. Porém ainda não temos set-top boxes no mercado com essa funcionalidade. Se deseja saber mais sobre isso consulte este artigo.

Portanto ainda sofreremos, ou causaremos, alguns transtornos quando formos interagir com a nossa TV digital interativa num ambiente compartilhado.

Neste post apresentei dois pontos que na minha opinião são cruciais para o sucesso da interatividade na TV digital, os dispositivos de entrada e a interatividade intrusiva. É possível perceber que estamos distantes do cenário ideal, contudo essa distância está diretamente ligada ao amadurecimento do ecossistema de TV digital interativa. Acredito que estamos no início da jornada, mas estamos caminhando. Este é o momento ideal para explorarmos novas oportunidades, tecnologias  e modelos de negócio.

E você, utilizaria um cliente para Twitter na sua TV digital? Vamos continuar essa conversa nos comentários.

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