Motivação

Somos todos fracassados, nas empresas ou não

O fracasso é visto para muitos como um dos maiores problemas a serem enfrentados e como um ponto final na trajetória para...

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Em conversa com um amigo, contei que já trabalhei com formação de empreendedores – basicamente, ajudando as pessoas a construírem empresas mais aptas ao sucesso.  Após minha ligeira explicação, sua reação foi bem simples: “Legal… Mas 90% das startups fracassam, né?!”

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O que meu amigo quis dizer, com a melhor das intenções, era que eu trabalhava em um ecossistema suicida.

O que ele me disse me fez refletir sobre o assunto. Afinal, o que é fracassar? Isso me levou a outras referências, que agora convido-os a visitar comigo e participar da discussão.

O fracasso e o fracassado em alguns exemplos:

Voltando aos tempos da escola

Imagine que sua empresa possui um determinado número de métricas fundamentais. Se você tem uma empresa e está fazendo as coisas direitinho, nem precisa imaginar, porque elas já existem.  Você tem o Número de Acessos ao Site, Vendas Mensais, Faturamento Mensal e a Taxa de Engajamento nas Redes Sociais.

Está indo quase tudo muito bem, exceto que seus usuários não dão a mínima para sua marca na rede e uma das suas métricas – a das Redes Sociais – está péssima. Logo, você declara a falência de sua empresa. Estranho, não?!

Pois na escola, desde garoto, você estuda Português, Matemática, História, Geografia, entre outros. Se você tem um desempenho excepcional em todas elas, mas fracassa em uma por pouco, boa sorte. Você repetirá o ano, fará tudo outra vez e todo seu trabalho irá pelo ralo. Relação confusa que a escola vem ensinando sobre fracasso e sucesso, concorda?

Isso sem comentar o fato de que se você for uma dançarina genial, e não tem aulas de dança na escola, terá que superar o “fracasso” constante na sua vida. O mesmo vale para outras áreas “inferiores” que a escola não dá muita atenção. Quantos Monet’s e Rodin’s brasileiros se perderam por aí porque levaram bomba em química?

O Marketing do Fracassado

Nos anos 60 e no auge da filosofia do businessman americano de sucesso a todo custo, uma empresa de aluguel de carros ia mal. A Avis era 2ª no mercado, com participação de 11% e caindo. Bill Bernbach, o publicitário responsável pela conta da empresa (e um dos maiores da história), teve a sacada: assumir o fracasso. A partir daí, a Avis se colocou no seu lugar. Dizia que o segundo lugar não podia se dar ao luxo de cometer erros. Além disso, suas lojas tinham menos filas.

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A campanha tinha uma série de peças como essa.

Em poucos anos, a “fracassada” Avis subiu sua participação para 35%. Aparentemente, muita gente se identificou com o status de loser da companhia – e nos Estados Unidos as crianças apanham desde cedo por ser um desses.

Thomas Edison não fracassou 1000 vezes

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Em uma de suas histórias famosíssimas, Thomas Edison disse que jamais fracassou, mas descobriu mais de mil maneiras de não fazer uma lâmpada. Excessos de otimismo a parte, ele teria criado a lâmpada sem antes ter falhado inúmeras vezes? Ou melhor, alguém cria algo de sucesso sem antes dar de cara com inúmeros erros?


Isto é apenas uma reflexão. Seria utópico dizer que o fracasso não existe. Minha proposta é que, desde crianças, somos moldados para enxergá-lo de forma errada. O fracasso rotula e desestimula, apesar de um sem-número de exemplos mostrarem que quase 100% dos produtos ou ideias de sucesso tem sua origem em fracassos anteriores.

Com os exemplos da escola, Avis e Edison, enxergo três pontos importantes. Respectivamente:

1. Não podemos estender um resultado ruim para o todo. Somos treinados a deixar que uma laranja podre contamine a horta inteira – e isso deve ser superado.

2. Somos todos fracassados. É daí que vem o equilíbrio das coisas. Aonde você é ruim, outro é bom e vice-versa. Por isso tantos losers se identificaram com a Avis. Aprenda a tirar proveito disso.

3. O valor do fracasso é o aprendizado.  Seria mentira dizer que fracassar é legal, mas é daí que vem a receita do sucesso, em todas as instâncias da vida.

Além disso, se pararmos para refletir podemos aprender com o fracasso. Talvez você esteja se perguntando como assim, até desacreditado. Vamos entender.

Quando os empreendedores tentam corrigir uma falha específica no conhecimento, muitas vezes eles próprios fracassam e incorrem em perdas devido à competição. 

Embora a falência seja dolorosa no curto prazo, essa falência é parte integrante do funcionamento da atividade empresarial e do mercado. O fracasso em uma sociedade competitiva informa aos participantes do mercado quais atividades ou empregos devem ser buscados e quais devem ser evitados, para que não desperdicem tempo e dinheiro. 

O fracasso está ao nosso redor porque nenhum ser humano jamais atinge uma completa falta de mal-estar sentido. Sempre temos fins insatisfeitos.

E como a competição é uma viagem ao desconhecido, só podemos saber depois do fato o que funciona e o que não funciona. Portanto, o fracasso econômico não é um “desperdício”. 

Chamar o fracasso empresarial de “desperdício” pressupõe implicitamente que se sabia com antecedência qual era o melhor uso dos recursos. Tal conhecimento não está disponível para ninguém, por isso o fracasso é necessário para fornecer os sinais necessários.


O que você acha disso? Compartilhe sua visão sobre o fracasso e o sucesso!

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